Rodrigo Díaz nasceu por volta de 1043 na pequena nobreza de Vivar, uma aldeia ao norte de Burgos, e foi criado na corte de Fernando I. Sob Sancho II tornou-se armiger regis, o porta-estandarte do rei, ainda na casa dos vinte. Sancho foi assassinado em 1072, seu irmão Afonso VI ficou com Castela, e Rodrigo nunca encontrou chão firme naquela corte: em 1081 atacou a taifa de Toledo sem ordens e foi exilado por isso.
O exílio foi o que o fez. Alugou a si mesmo e a seus homens ao governante muçulmano de Saragoça e lutou por aquele emirado por quase uma década, vencendo exércitos cristãos e muçulmanos sem fazer muita distinção entre eles. Os dois nomes lhe foram dados por outros: El Cid, do árabe al-sayyid, o senhor, e Campeador, do latim para o homem que vence o campo. Na década de 1090 já trabalhava por conta própria na costa do Mediterrâneo, cobrando tributo de Valência antes de tomar a própria cidade em junho de 1094, depois de um cerco de cerca de vinte meses.
Manteve Valência por cinco anos, nominalmente em nome de Afonso e na prática como um Estado seu, e derrotou os almorávidas diante das muralhas em Cuarte, em 1094, quando ninguém mais na Espanha os estava derrotando. Morreu lá em 10 de julho de 1099. Sua mulher, Jimena, segurou a cidade por mais três anos, depois a incendiou e partiu. Por volta de 1200 alguém escreveu sobre ele o Cantar de mio Cid, a mais antiga epopeia castelhana que sobrevive, e é por isso que um soldado profissional de aluguel é lembrado como um poema.